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LUIZ OTÁVIO

Nome literário de Gilson de Castro

Foi cirurgião Dentista, poeta e trovador. Nasceu em Vila Isabel, Rio de Janeiro, em 18 de julho de 1916, filho de Octávio de Castro e Antonietta Motta de Castro. Faleceu na cidade paulista de Santos, em 31 de janeiro de 1977. Foi ele, na década de cinquenta que deu um grande impulso à trova, divulgando-a, maciçamente, no rádio, nas revistas e nos jornais, culminando com o lançamento do livro "Meus Irmãos, os Trovadores", em 1956. Este livro que reuniu 2.000 trovas de autores diversos pode ser considerado como marco inicial do movimento dos atuais trovadores. Em 1960, contando com a colaboração de J. G. de Araújo Jorge, Luiz Otávio lançou os I Jogos Florais de Nova Friburgo, iniciativa que se espalhou por todo o território brasileiro e ainda hoje é a principal forma de divulgação da trova no Brasil. Com os Jogos Florais multiplicaram-se os trovadores a tal ponto que para melhor congregá-los foi fundada em 1966 a União Brasileira de Trovadores. Em sua homenagem, o dia 18 de julho se transformou, por força de lei, no Dia do Trovador em dezenas de municípios por todo o Brasil e em alguns estados da federação.

 

TROVAS DE LUIZ OTÁVIO

Ó trovas — simples quadrinhas

que têm sempre um quê de novo...

— Como podem quatro linhas

trazer toda alma de um povo?!

  

Nessas angústias que oprimem,

que trazem o medo e o pranto,

há gritos que nada exprimem,

silêncios que dizem tanto!...


 Sou como a cana de engenho!

Quem dera que assim não fosse.

Quanto mais dores eu tenho,

o meu cantar é mais doce!


A trova tomou-me  inteiro!

tão  amada  e  repetida,

agora  traça  o roteiro

das  horas  de  minha  vida.


Eu... você as confidências...

O amor que intenso cresceu...

O resto são reticências

que a própria vida escreveu ...


Estrela do céu que eu fito,

se ela agora te fitar,

fala do amor infinito

que eu lhe mando neste olhar ... 

  

Ó mãe querida – perdoa! ´

o que sonhaste, não sou ...

- Tua semente era boa!

a terra é que não prestou !


Quer ser feliz? Então siga

a minha vida bizarra

que tem muito de formiga

e ainda mais de cigarra...


O mar nos deu a receita

de um viver sábio, fecundo:

sendo salgado, ele aceita

as águas doces do mundo!